—Foi talvez tua cunhada ou teu irmão que te mandaram dizer isso, observou José Maximo.

—Elles? Não! respondeu Anninhas. Fallaram da nossa ida a Mattosinhos, e nem sequer alludiram ao filho do brazileiro!

—É um plano, manifestamente. Trata-se de casamento rico, e é natural que elles t’o aconselhem.

—Olha que me offendes... disse maviosamente D. Anna de Vasconcellos.

—Não fallo de ti; fallo d’elles. Eu sou um escripturario, um simples amanuense; o pintalegrete, alem de rico, é estudante de Coimbra. Mas tambem eu o hei de tornar a ser.

—Tu?!

—Sim. Tomei hoje em Mattosinhos esta resolução. Medi toda a extensão da minha desgraça, e quero resistir-lhe. Lembraram-me as palavras de frei Simão, que no Outeiro me aconselhou um dia a voltar para Coimbra. E voltarei.

—Queres então separar-te de mim?

—Tontinha! Se é por tua causa que eu ambiciono um futuro brilhante! É preciso não perder tempo. Muito tenho eu já perdido. D’aqui a cinco annos poderás ser minha mulher. Terei então conquistado o direito a pedir a tua mão, de cabeça levantada.