—Mas eu hei de ficar aqui?
—Onde quer que fiques, estarás sempre presente á minha alma e ao meu amor.
—No Outeiro estarei muito mais perto de Coimbra.
—Então sempre tu receias que teu irmão e tua cunhada procurem desviar-te do meu destino!
—Não receio. Nem elles o tentaram por ora, nem o conseguiriam. Mas, peço-t’o eu, quando fores para Coimbra, passa por Cezár, e dize a frei Simão que eu desejava voltar para o Outeiro visto que tu sahes do Porto.
—Pois seja. E por que lhe não escreves tu?
—Porque costumo entregar a meu irmão Frederico as cartas que escrevo para o Outeiro, e não quero que elle supponha que vivo aqui contrariada ou desgostosa. Tinha ficado no Porto por tua causa. Estava bem emquanto tu aqui estavas. Mas se vais para Coimbra, ficarei melhor estando mais perto de ti.
—Pois amanhã mesmo cumprirei a tua vontade.
—Amanhã? Já?!
—Não devo demorar a minha resolução. Tenho pressa de me igualar aos que se nobilitam seguindo a carreira das lettras. Não valho menos do que elles, e não quero que no futuro elles pareçam valer mais do que eu.