No seculo XVIII, o padre Bluteau organizou uma lista d’aquelles termos, que incluiu no seu Vocabulario, e que foi copiada em parte no Compendio de orthographia de Frei Luiz de Monte Carmelo.

No mesmo seculo, os Rasgos metricos, de Alexandre Antonio de Lima, e as Infermidades da lingua, a que já tivemos occasião de referir-nos, fornecem elementos subsidiarios para o estudo do calão.

No seculo XIX, a Historia do captiveiro dos presos d’estado na Torre de S. Julião da Barra, por João Baptista Lopes; a traducção dos Mysterios de Pariz, feita no Porto pelo dr. Pereira Reis; o romance Fr. Paulo ou os doze mysterios; o romance Eduardo ou os mysterios do Limoeiro pelo padre Rabecão; os artigos de Candido Landolt na Revista do Minho (1875) e os de Queiroz Vellozo na Revista de Portugal, 1890; os Ciganos de Portugal, por Adolpho Coelho, abrangendo um importante estudo sobre o calão, e o diccionario de giria ultimamente publicado pelo sr. Alberto Bessa constituem copiosas fontes para o vocabulario do calão portuguez.

Adolpho Coelho traz o seguinte Fado composto em calão, reproduzido por Alberto Bessa:

Ao fadista chamam faia,

Ao agiota intrujão;

Ao corcovado golfinho,

Ao valente bogalhão.

Entre o povo portuguez

Ha calões tão revesados,