Elles seus fóros salvaram!
Disse-me o sr. Verol Junior tencionar imprimir uma collecção de Fados, que abrange todos os periodos da historia de Portugal.
A vida do fado está intimamente relacionada com a tauromachia.
O fadista não falta a uma espera de touros, com a sua guitarra na mão; o fadista de um e outro sexo, mulheres e homens.
Antigamente o enthusiasmo era maior, no tempo da Severa e do Vimioso, quando os fidalgos, «amadores» e «cavalleiros», não perdiam uma espera, nem uma tourada.
A tradição tauromachica era então muito mais intensa do que hoje, porque no seculo XVIII tinhamos tido touros de morte, e o enthusiasmo pelas luctas cruentas do redondel conservava ainda, no espirito do povo, um rescaldo ardente.
No seculo XVIII havia em Lisboa nada menos de quatro praças de touros: a da Estrella, nas terras do Infantado; a da Parada, junto ao Rocio; a do Salitre, e a do Campo de Sant’Anna. Não fallando no Terreiro do Paço, onde se realizavam as touradas de maior pompa.
Quem fazia as cortezias era o neto[49], (meirinho da cidade); quem as recebia era o rei, o senado da camara, o tribunal da junta da casa do Infantado, e, ás vezes, Nossa Senhora!
Assim, no programma de uma corrida em obsequio da devotissima imagem de Nossa Senhora do Cabo, sendo o producto para os cultos da mesma Senhora, lê-se o seguinte: «Ás duas horas e meia estará tudo prompto, e feito o signal costumado, entrará o Neto a fazer as suas cortezias á devotissima imagem de Nossa Senhora, que ha de estar collocada em um logar proprio, e depois ao Tribunal».
Por esta não esperava de certo o leitor: que a propria imagem de Nossa Senhora, collocada em altar todo florente de galas, fosse quem recebesse as cortezias do cavalleiro.