«Semear morte em vultos de figura humana, é de pequeno interesse dramatico; é preciso dar-lh’a prompta e estrondosa; é doutrina corrente, é aphorismo entre os partidarios do curro. Para descontar porém a semsaboria da festa, houve n’ella a novidade (pomposamente annunciada em todas as esquinas da capital) de uma rapariga a cavallo n’um rossinante, correndo um toiro á vara larga: o toiro, que a podia ter morto, contentou-se fidalgosamente de dar-lhe uma licção; e mettendo os cornos pelos peitos ao cavallo, e arvorando-o a prumo, a despejou da sella, estirada de costas no meio da praça por entre os risos dos circumstantes.
«A mulher forte, com razão assomada da descortesia, recavalgou para se desaffrontar; e não duvidamos que o houvera conseguido, se o cavallo não discordasse manifestamente das opiniões da cavalleira: o exame phrenelogico dos dois craneos, se algum curioso de anatomia comparada o tiver de fazer lá para o futuro, deverá, se nos não enganamos, redundar todo em gloria do quadrupede.»
O brado de um poeta contra as touradas não encontrava écco; nem as mulheres nem os homens lhe davam ouvidos.
Qualquer Fadinho toureiro, como relembraremos no capitulo seguinte, o combatia e supplantava.
Resta-nos ainda fallar de duas especies de Fados.
Aquelles que tratam assumptos pornographicos, mais ou menos desbragados, encontram-se na Guitarrinha innocente e no Almanach do fado bréjeiro.
Quanto aos Fados exdruxulos, e outros que apenas visam a uma combinação artificiosa de palavras, technicas ou arrevezadas, havemos de incluil-os na secção dos Fados de nomenclatura, não porque propriamente o sejam, mas porque melhor ficarão ali do que em qualquer outro grupo.
FADO CHORADINHO