Creança de 16 para 17 annos, serviu o exercito liberal como aspirante de lanceiros.
Com referencia a essa epoca conta o sr. Queriol:
«O seu animo corajoso e sua força herculea tornaram-n’o notavel em varias proezas, contando-se entre ellas a de ter nas linhas de Lisboa, em presença do imperador, mettido hombros e arrombado um forte portão de ferro que impedia a passagem de tropas liberaes que tinham de occupar uma posição estrategica e só por ali podiam fazer caminho.
«D’esta sua força muscular foi testemunha (e appello para a memoria do então aspirante de artilharia e hoje general Victo Moreira, ajudante de campo de el-rei) quando n’uma tarde, sahindo D. Pedro de Sousa Coutinho, filho mais novo do conde de Linhares, de casa do fallecido conde das Galveias D. Antonio, no seu elegante pháeton puxado por dois poneys hanoverianos de forçosa pujança apesar da diminuta estampa de seus corpos, o conde de Vimioso, segurando com a mão direita o eixo trazeiro do carro e com a esquerda o varão do portão do palacio, embora o elegante D. Pedro se esforçasse em fustigar a parelha e esta se empenhasse em arrancar o trem do logar em que se achava, não puderam os poneys adiantar um passo limitando-se a escarvar a calçada, inutilisadas as suas forças pelas que lhes oppunha o valente titular.»
Outro exemplo de pujante denodo conta o auctor do artigo.
Foi por occasião da feira do Campo Grande.
Dois valentões da provincia tinham se postado junto ao portão de ferro, que então limitava o Campo Grande pelo lado do Lumiar, e não deixavam entrar nem sair ninguem.
A que distancia já ficam hoje estas bravas tunantadas portuguezas, e que mal se podem comprehender agora!
Raça de Hercules, no acerto ou na loucura, quebramos: agora estamos a pedir funda.
O povo levantou celeuma contra os dois pimpões, mas não ouzava affrontal-os, porque algum saloio que investia, recuava ganindo, deslombado.