«Mais velha do que o conde, a santa senhora limitou-se a ser educadora de seus filhos, libertando o marido do jugo matrimonial, do que elle bem se aproveitou, sendo um dos mais felizes conquistadores em assumptos amorosos. Foi talvez esta sociedade que lhe despertou o appetite da pouco duradoura aventura amorosa com a Severa.»

D. Francisco de Paula, impellido pela corrente tradicional da fidalguia portugueza, e desculpado pela bondade tolerante da esposa, entregou-se bem depressa á vida alegre e estouvada dos rapazes nobres do seu tempo e da sua idade.

Tornou-se perito exemplar em equitação e tauromachia e, por estes dois caminhos abertos á sua phantasia juvenil, entrou na bohemia elegante, a que tomou gosto, chegando a penetrar nas camadas populares onde a guitarra e o Fado, quando bem tangidos, não pediam passaporte, nem folha corrida a ninguem.

Era feição do tempo, e da nobreza de então.

Foi justamente na ultima classe social que encontrou a Severa, á qual não exigiu pergaminhos, nem credenciaes. Era uma excellente camarada para se fazer ouvir dedilhando a guitarra e cantando o Fado.

Como tal a acceitou na evidencia em que ella já se tinha collocado por essas prendas, não obstante ter nascido condemnada á desgraça do lupanar.

Por sua parte, as classes populares adoravam o conde de Vimioso, que as tratava sem preoccupações hierarchicas, e que se distinguia pela exteriorisação de qualidades que muito deslumbram o criterio pouco intellectual do povo: a valentia, a coragem, o primor da guitarra e do toureio.

O unico exemplar notavel d’este genero de fidalgos foi, no meu tempo, o marquez de Castello Melhor.

O sr. Queriol reduziu tambem a lenda do conde de Vimioso aos devidos termos, mas ainda assim resulta do seu artigo uma figura sympathica, que foi o conde, distincta por aquellas qualidades, não intellectivas, que o publico aprecia e que ainda hoje constituem a galhardia do moderno sport.

Desde muito novo que D. Francisco de Paula se notabilisou pelo valor physico e destemida coragem.