O conde de Vimioso não se limitou apenas a executar as melhores sortes de toureio estabelecidas pela tradição: inventou uma, a que deu o nome de cara a cara.
É o que hoje chamamos á estribeira.
O cavalleiro dirige-se para o touro ladeando o cavallo sobre a direita, e na altura da rez arrancar, passa o cavallo de mão: o touro deve receber o castigo quando mette a cabeça junto ao estribo do cavalleiro.
Esta sorte é brilhante e arriscada, requer uma grande certeza. O conde de Vimioso, seu inventor, nem sempre pôde leval-a a effeito, mas enthusiasmava delirantemente o publico quando a realizava.
D. Francisco de Paula, como cavalleiro, adoptou um principio, que impunha a si proprio, e recommendava a todos os outros aficionados: «O trabalho do toureio a cavallo consiste essencialmente em que o cavalleiro, pela sua destreza e arte, zomba do poder do animal, sem que elle ou o seu cavallo recebam o mais ligeiro contacto, o que constitue sempre desaire».
Uma ou outra vez lhe falhou na pratica este preceito, mas o conde desaffrontava-se logo com grande galhardia e brio.
Aconteceu isso em Evora, n’uma corrida a que assistiram muitos portuguezes e hespanhoes.
O touro saiu com tal rapidez, que nenhum recurso pôde ser efficaz ao cavalleiro.
Vimioso foi colhido e derrubado conjuntamente com o cavallo, que ficou muito contuso.
Mas, habilmente, o conde tirou-se da sella, montou outro cavallo em sellim razo, e castigou o touro, que o havia desfeiteado, com oito ferros, que levantaram a praça n’uma ovação colossal.