Chorae, fadistas, chorae,

Ah! chorai a mais não ser,

Que d’outro tão fino amante

Não torna o fado a dizer.

O que é certo é que a lenda da Severa e do conde de Vimioso, tal como a musa popular a foi cantando ao sabor das multidões, estimulou a corrente que vulgarisou o Fado, especialmente no sul do paiz, e que lhe reforçou um caracter de vaga saudade, de tristeza plangente, em que parece pairar a longinqua memoria de uma supposta allucinação amorosa que um fidalgo bohemio experimentou por uma pobre moça fadista, de chinella de polimento ponteada a retroz vermelho.

Todas as mulheres dos bairros infamados, todas as criadas de servir, todas as camareras de botequim cantam de preferencia o Fado da Severa e o Fado do conde de Vimioso, dando-lhe uma intenção de aristocracia rehabilitadora pela esperança de que um novo conde, seguindo o exemplo de D. Francisco de Paula, venha enamorado, dedilhar a banza, em honra de uma segunda Severa plebea.

«Ainda hoje, diz Pinheiro Chagas,[67] se ouve cantar a deshoras, com acompanhamento de guitarras, por vozes nem sempre da primeira frescura, uma melodia melancolica e plangente, que se denomina o fado do conde de Vimioso

NOTAS DE RODAPÉ:

[51] Em os numeros de 7 e 8 de abril de 1901.

[52] Estas iniciaes são as do nome de Diogo Henriques Bettencourt.