Um jornal da epoca relembrou n’estes termos a sua vinda a Lisboa:
«Occorreram as festas em honra do João de Deus. Com a academia de Coimbra veiu Hylario a Lisboa.
«O rythmo inédito do seu fado ia então ter o ensejo de lançar o vôo e popularisar-se como se popularisaram os versos do grande poeta.
«A poesia e a musica do povo abraçavam-se ali, por um decreto do acaso, tendo surgido com o intervallo de trinta annos.
«Todos iriam decorar o fado do Hylario como haviam decorado as quadras adoraveis de João de Deus.
«O destino como que quizera tambem consagrar o grande poeta do amor inventando este bohemio legitimo, authentico como os dos lendarios tempos de João de Deus, para fazer perdurar, por uma musica grata ao povo, a lembrança d’aquella festa sympathica da mocidade.
«E assim foi.
«Durante trez noites Lisboa ouviu, altas horas, os accordes tristes da guitarra do Hylario e a sua voz potente a que elle imprimia um tom de melancolia estranha:
«Foge, lua, envergonhada,
Retira-te lá do céu;