«O seu enterro realizou-se ás 6 horas da tarde de hoje. Vestiram-lhe o uniforme de aspirante de medico naval. Acompanharam varias irmandades e a banda de musica de infantaria 14, sendo a chave do caixão entregue ao coronel do mesmo regimento. Ás borlas pegaram os officiaes, sendo o feretro conduzido pelos estudantes do lyceu de Vizeu e dos cursos superiores das differentes escolas do paiz, que aqui tinham vindo passar as ferias da Paschoa.
«No cemiterio foram depostas oito corôas, sendo uma da familia, outra do curso do terceiro anno medico e as restantes de varios academicos e pessoas amigas do inspirado guitarrista.
«Pronunciaram discursos, quando o corpo baixou á terra, um estudante do lyceu d’esta cidade, dois estudantes de Coimbra e o advogado Alberto Ponces.
«A guarda de honra, porque o finado tinha honras militares como aspirante a medico naval, foi prestada á porta do cemiterio por uma força, que deu as trez descargas do estylo.
«A morte do pobre rapaz foi muito sentida em Vizeu.»—M.
Na população de Coimbra, habituada a ouvil-o, a manifestação de sentimento foi ainda maior talvez do que em Vizeu.
Um telegramma d’aquella cidade dizia:
«O academico Hylario era muito conhecido em todo o paiz pelos seus popularissimos fados. Em Coimbra deixa saudosas recordações. Seu genio jovial e tendencias bohemias deram-lhe grande prestigio e ascendencia na actual mocidade academica. Em Coimbra é sentidissima a sua morte.»
Todos os jornaes diarios do paiz se referiram largamente ao Hylario; alguns publicaram o seu retrato, esse conhecido retrato em que elle, de capa e batina, cabeça ao lado, olhos em extasi, dedilha na guitarra um dos seus Fados dolentes.
Lisboa conhecia-o, tinha-o ouvido; mas os seus Fados haviam chegado á capital primeiro do que elle.