Entre a relé mais pifia confundido;
E por seus capitães eram com elle
Claros pimpões, a flor da pangayada.[26]»
Pato Moniz illustra o texto com a seguinte nota: «Bem sabida, e bem fallada foi em Lisboa a guerra da rapazia no sitio da Penha de França; e muito mais depois que n’ella entraram o General Luneta (Dom Th. d’A., cujo rival no generalato era um façanhoso Pretalhão)[27] e alguns outros, que, posto serem geralmente havidos em ruim conta, nunca se esperou que chegassem a tanto.»
Vê-se mais uma vez que no principio do seculo XIX ainda não eram correntes as palavras fadista e fadistagem. A 1.ª edição da Agostinheida é de 1817. Pato Moniz usa todas as expressões que podem pintar a escumalha social: çáfia cambada, gingantes campeões afragatados, relé mais pifia, flor da pangayada, etc. só lhe faltava ainda a palavra fadistagem. Se já então pudesse dispôr do vocabulo—fadistão, com certeza o haveria atrambolhado ao padre José Agostinho, que alguma coisa teve de isso, em verdade.
Casos ha em que os fadistas provéem de pais honestos, de familias decentes e remediadas, e até, facto que já foi mais vulgar do que hoje,—porque as raças nobres tendem a extinguir-se,—tem havido fadistas descendentes de familias illustres.
Estes, eram jovens fidalgos que viviam com picadores e cocheiros, toureiros, arruaceiros e espadachins.
D. Affonso VI, quando infante, e D. Francisco, irmão de D. João V, viveram com a ralé que hoje se chama fadistagem.
D. Miguel de Bragança foi creado no mesmo teor de vida; mas depois, no exilio, regenerou-se completamente.
Outros fidalgos houve, porém, que menos felizes chegaram até á facada, ao homicidio, e tiveram de ir cumprir no ultramar uma pena infamante.