Banzara é uma paragoge do calão—banza—synonymo de guitarra.

O bom cantador do Fado requebra a voz com «sentimentalidade canalha» e com a «intermissão de uns oras e de uns ais mui langorosos, o zing fadista de cervejarias e botequins de lacaios.»[29]

Curvado sobre a guitarra, como para ouvir melhor a voz d’esse instrumento querido e suave, que parece dizer-lhe confidencias, ergue de quando em quando a cabeça e põe os olhos no alto, acompanhando assim as notas agudas que parece fugirem da terra para as regiões do sonho...

É um enlevo, um extasi, como podem sentil-o as almas que vegetam no lôdo da crápula; é a «sentimentalidade canalha», de que falla Camillo; a poesia da devassidão; é a mariposa que roçou no monturo e adeja para seccar as azas no ar e na luz do espaço infinito.

Outro eximio cantador do Fado foi o Pitalcante, filho do famoso jogador de pau que se chamou José Maria Saloio.[30].

Presava-se de saber musica, pois estudára no Conservatorio. Chegou a ser um Orpheu popular. Encantava as patrulhas com os seus descantes, a ponto de algumas vezes o não prenderem ou de o soltarem depois de preso.

Foi verdadeiramente uma celebridade no seu genero, fazendo pendant no sexo masculino á Severa, que foi a mais insigne cantadora do Fado e que, por este e outros motivos, terá capitulo especial.

Bulhão Pato esteve para levar o Pitalcante a Alexandre Herculano, quando o grande historiador já residia em Val-de-Lobos.

A tysica, fim vulgar nos fadistas e nos bohemios, cujos excessos os consomem rapidamente, foi a doença que victimou o Pitalcante.

Devemos agora fallar do Salles Patuscão.