—Ha caso! respondeu o estudante.

—Caso! repetiu com surpresa o conselheiro. Querem vêr que a D. Estanislada tornou a apanhar uma indigestão, e que já não vamos a Troia! Pois ha de perder-se tudo isto!

E com um olhar desalentado, em que se liam poemas d’angustia, relanceou os olhos ás flores, ás fructas, ao peixe. Se podesse olhar para si mesmo, o conselheiro Antunes tel-o-ia feito involuntariamente, significando a magua que lhe causava o perder-se tambem elle proprio, o seu raro talento culinario, que desejava exhibir, n’esse dia, perante D. Estanislada, e os outros.

—Qual! Nada d’isso e melhor que isso!

Aquietou-se o semblante do conselheiro, que entretanto se havia lembrado de que se perderia tambem o excellente azeite, que finalmente podéra descobrir. Não era isso? Ainda bem! Salvava-se tudo, incluindo o azeite magnifico e o talento culinario.

Julio de Lemos, rapidamente, explicou:

—Chegaram hontem á tarde as netas do Padre Eterno!

O conselheiro fez uma cara de espanto, de surpreza, e desconfiança: cara de quem não percebia nada.

—Como! exclamou. As netas do Padre Eterno! Então vossa senhoria, sr. Julio de Lemos, propõe-se agora brincar com o Padre Eterno e comigo!