—Oh! sr. Julio de Lemos! Mil vezes obrigado... Bem! bem! Eu vou reforçar um pouco o contingente dos salmonetes, visto que os ha com abundancia no mercado, felizmente! Só peço a vossa senhoria que tenha a bondade de explicar a D. Estanislada o gentil passo que deu, de modo a não me poder ser imputada a iniciativa d’elle.
—Perfeitamente. Mil vezes obrigado. Então a que horas é a partida? Preciso ir prevenir as Rodartes.
—Ás duas em ponto, no caes do Livramento.
—Bem! bem! Ás duas em ponto lá estaremos, e terá vossa excellencia occasião de conhecer as tres lindas netas...
—Do Padre Eterno, atalhou, sorrindo, o conselheiro.
E foi d’ali reforçar, como elle disse, o contingente dos salmonetes.
O estudante andára com certa finura em todo este negocio.
Quando viu as Rodartes, que eram realmente tres lindas mulheres, ficou contentissimo por se lhe deparar tão feliz achado. Lembrou-se logo de que ellas cahiam do ceu para disputar a Soledad o premio da belleza. D’este modo conseguir-se-ia abater, pela concorrencia, o orgulho da andaluza. E elle, namorando alguma das tres, a Hilda, principalmente, a quem já havia, dois annos antes, arrastado a aza, vingar-se-ia dos desdens com que Soledad acolhia por vezes, sempre caprichosa e indefinida, os seus galanteios.
Inculcou-se ao Rodarte e ás netas como um dos promotores da caldeirada, tendo portanto auctoridade para fazer o convite, que, n’essa fé, foi acceito.
Depois correu a procurar o conselheiro, mudando as guardas á fechadura: desculpando-se do que fizera, pois que o conselheiro era o amphitryão da caldeirada.