Ah! mas Agostinho Pimenta enganava-se. A alegre aiasinha da infanta D. Izabel tinha o genio mariposo que borboletea nas flores e se desvia dos espinhaes. Era a graça com duas azas: tinha a desenvoltura que não rasteja.

Ao outro dia partia para o solar de Bragança em Villa Viçosa a infanta viuva, suas filhas e seu filho D. Duarte.

As duas unicas recreações que habitualmente se permittia o infante D. Duarte, a despeito de suas irmãs, tinham um caracter tradicional de familia: eram a poesia e a caça.

O principe seu pai, cuja fama de caçador a historia ainda hoje pregoa, fôra trovador. Dá testimunho Souza na Historia genealogica: «Na poesia vulgar compoz sentenciosamente, guardando as regras poeticas.»

D. Duarte não versejava, mas gostava de ouvir trovar no seu paço. Monteador era-o por herança, e famoso. Andava nos costumes da familia o de uma caçada annual em Villa Viçosa.

O infante era acompanhado pelos fidalgos de sua casa, D. Diogo de Lima, D. Antonio da Gama, Jorge da Silva, D. Diogo, D. Antonio e D. Rodrigo de Mello, D. Luiz e D. Francisco de Moura, Gaspar de Souza, João Mendes de Castello Branco, Fancisco Leitão, Luiz do Amaral e Pedro d'Andrade Caminha.{31}

O duque de Bragança, D. João, era seguido de luzida e numerosa comitiva.

Á infanta viuva, a D. Maria e a D. Catharina faziam sequito mais de vinte senhoras, entre as quaes não seria difficil distinguir D. Branca de Noronha.

A entrada em Villa Viçosa foi deslumbrante de magnificencia e digna d'um principe de sangue, immediato á coroa.

O infante D. Duarte ia vestido á flamenga em cavallo de brida, e a infanta sua mãe em umas andas, ricamente guarnecidas, acompanhada por D. Catharina. D. Maria cavalgava em mula com andilhas de preciosa chaparia de ouro.