Após as amabilidades vieram os galanteios, e após os galanteios as confidencias.

A menina ouviu e acreditou.

Começou-se a dizer por fóra que a menina era amada pelo morgado.

Só não o diziam, nem ouviam, os pais da menina e a esposa do morgado.

Decorreu tempo, e a menina deixou de sahir a passeio; ao mesmo tempo o morgado deixou de ser assiduo.

A menina fez-se triste; o morgado andava preoccupado.

Luctavam ambos com a resolução do mesmo problema: encobrir uma vergonha commum.

Foi n'essa epocha que o morgado teve de ir ao Porto por causa de pleitos que se ventilavam nos tribunaes.

Pediu-lhe a menina que a tirasse da casa paterna, antes que rebentasse o escandalo.

O morgado prometteu demorar-se apenas alguns dias no Porto, e voltar depois de recolhidas grossas quantias, cujo embolço dependia da solução do pleito, a seu vêr bem encaminhado, para se passarem ambos a Hespanha.