Houve porém uma camponeza que os viu estarem-se despedindo em logar afastado. Contou-o á noite á lareira. A revelação da camponesa espalhou-se. Chegou aos solares, e aos ouvidos da desventurosa esposa do morgado.
Pensou a infeliz senhora que poderia ainda atalhar o incendio, e mandou um portador com uma carta á mãe da menina.
Faltaram-lhe as forças para ir pessoalmente.{35}
Chegava o mensageiro a tempo que a menina estava chorando á janella do seu quarto.
O coração, que é sempre feiticeiro, adivinhou.
O mensageiro, que trazia recommendação, não fez caso.
Sahiu-lhe a menina ao encontro. Pediu-lhe com lagrimas nos olhos e na voz que lhe entregasse a carta e fosse dizer á morgada que a havia depositado nas mãos de sua mãe.
—Veja que me perde, podendo salvar-se com uma simples mentira! Se tivesse uma filha, seria mais clemente.
O mensageiro era pae: entregou-lhe a carta.
A menina leu-a, e cuidou morrer d'afflicção e vergonha.