No Hotel Universal jantaram apenas comnosco á mesa mais dois hospedes, ambos brazileiros, que estiraram desde a sopa até ao café uma conversa merencoria como elles, que ambos estavam doentes.
Um dos dois, o mais sorumbatico de ambos, fallou da morte,—assumpto divertidissimo! Disse-nos que todas as noites, a bordo do paquete, quando se fazia silencio, a idéa da morte, passando pelo seu espirito, o atormentava.
Eu perguntei ao meu amigo Carrilho o que tinhamos nós com aquillo?
Concordámos em que não tinhamos nada, absolutamente nada, com os pavores phantasticos do brazileiro.[{66}] Levantámo-nos da mesa; vimos um predio illuminado, ouvimos musica.
Perguntamos ao criado que predio era aquelle.
—É o theatro do Principe D. Carlos, e ha hoje espectaculo.
Muito bem. Iriamos dar um passeio pela cidade, e cahiriamos depois no theatro.
Todo o aspecto commercial da cidade estava então em evidencia: as lojas illuminadas, bellas lojas, devendo citar-se uma ourivesaria, que fazia lembrar um estabelecimento do Chiado.
Na Praça Nova a colonia balnear, composta principalmente de hespanhoes, espanejava-se garrulamente, e em torno da praça as lojas de negocio, havendo ás portas grupos de homens, uns a pé, outros sentados, denunciavam o movimento commercial da cidade.
Na Praça Nova encontrámos o deputado Pereira dos Santos e o visconde de Miranda do Corvo, que tiveram a amabilidade do nos ir mostrar os magnificos clubs da Figueira e de nos acompanhar ao theatro.