No theatro havia pouca gente. Um prestidigitador, cujo nome me esqueceu, fazia umas sortes sediças, com pouca limpeza. Mas o theatro fôra para nós um salvaterio, porque nos permittiu esperarmos ahi pela hora da partida do comboio, meia noite e vinte.[{67}]

E, n'um dos intervallos, entre muitos episodios da chronica balnear da Figueira, ouvi contar um, que me divertiu hilariantemente, e que no capitulo seguinte tentarei reproduzir.

Á meia noite, quando sahimos do theatro, havia ainda luz nos clubs e nos cafés. As janellas das roletas e das batotas brilhavam com o clarão interior dos candieiros de petroleo, porque a cidade da Figueira só agora vae ser illuminada a gaz.

Despedindo-nos dos nossos amigos visconde de Miranda do Corvo e Pereira dos Santos, dirigimo-nos para a estação do caminho de ferro, atravez de uma escuridade profunda, sem saber onde punhamos os pés, tropeçando a cada passo.

Que reles economia a da Companhia, que fazendo um comboio depois da meia noite, não manda illuminar o caminho da estação!

Ás tres horas e 46 minutos da manhã chegavamos ás Caldas da Rainha, frescos, apesar da caminhada a Buarcos, da estopada funebre do brazileiro, de duas horas de prestidigitação no theatro do Principe D. Carlos e dos trambolhões que démos em caminho da estação,—sem vermos um palmo adeante do nariz.[{68}]

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CHRONICAS DE VIAGEM

VIII

Uma victima da dança