O Peres teve um pensamento machiavelico: impingir-lhe D. Serafina.

Estava-se já organisando uma quadrilha. De pé, alguns pares esperavam. Um amador de salsifrés, Justino Soares, por vocação, andarilhava, combinando vis-á-vis. O Peres, poisando o braço direito sobre os hombros do capitão Lamprêa, avançou na sala, e aproximando-se de Serafina solicitou para o seu velho amigo e condiscipulo a honra de uma quadrilha.

O capitão Lamprêa recuou instinctivamente. Mas[{77}] o Peres, ao ouvido, dizia-lhe com um sorriso de malicia.

—O que?! Um militar portuguez não recua nunca!

Serafina acceitára com muito gosto: que sim, que tinha muita honra.

O Peres disse ao capitão Lamprêa que lhe ia arranjar vis-á-vis.

Mas n'isto ouviu-se tocar uma corneta, e o capitão Lamprêa, voltando-se rapidamente para D. Serafina:

—Ora esta! exclamou. Chama-me o dever. Já não tenho tempo de dançar! Que contrariedade! Mas á volta, minha senhora, terei a honra e o prazer de dançar com v. ex.ª

Fôra providencial aquella corneta tocando a recolher.

E D. Serafina, durante quinze dias, perguntava com um sorriso de agradecimento ao Peres de Leiria: