Os pequenos leram o aviso, e não gostaram. Houve amuos, piadas, protestos. A direcção, severa como Catão o Censor, manteve a sua resolução. Tudo foi pelo melhor durante duas ou tres noites, mas as[{85}] creanças lá tinham a sua fisgada,—sem que se soubesse o que, na sua qualidade de opposição, haviam resolvido.

Aconteceu que um valsista foi escolher para parceira de valsa uma menina de treze ou quatorze annos.

Os pequenos, reunidos em grupo, cochicharam entre si.

Conspiravam; não havia duvida. Mas qual seria o seu plano? Mysterio!

Pouco depois toca-se uma quadrilha, e os chefes da opposição conseguem que algumas senhoras vão dançar com elles.

Então os supracitados chefes argumentam do seguinte modo, revolucionaria e logicamente:

—Se um socio do Club póde dançar com uma pequena, uma socia do mesmo Club póde dançar com um pequeno. O direito e a quota são eguaes perante os sexos.

A quadrilha dançou-se, os pequenos dançaram, e a revolta triumphou.

Foi uma especie de janeirinha, de revolução pacifica, feita sem sangue, apenas com as portas fechadas.

Os directores de sala pensaram gravemente na sua embaraçosa situação.[{86}]