A sala da entrada do Club, que havia sido destinada ás creanças, estava deserta. E os revoltosos, embriagados com a victoria, continuavam a valsar no salão.

A direcção, como todos os vencidos, azoinava. Queria dar uma satisfação publica á sociedade, e a si mesma. Exercer represalias para com as creanças seria uma cobardia revoltante. Em todo caso, á sombra dos pequenos, já os grandes começavam a rir-se.

Era preciso uma idéa salvadora, uma sahida qualquer.

O pianista, sempre por ordem dos pequenos, principiava a tocar uma quadrilha. Então, por uma d'estas lembranças que passam rapidamente pelo espirito, illuminando como os meteoros, resolveu-se organisar uma quadrilha só composta dos paes, que foram dançar na sala de entrada, ao mesmo tempo que os filhos dançavam no salão, que era destinado aos paes. Esta inversão do papeis produziu geral hilaridade; salvara-se a situação com um epigramma, que é o unico desforço possivel nas situações perdidas...

Mas os heroesinhos vencedores tomaram gosto a essa especie de junta revolucionaria que haviam constituido e, não contentes com a posse do salão, principiaram[{88}] a inventar divertimentos por sua conta e risco.

Imaginaram uma toirada... platonica, isto é, uma toirada sem toiros, mas em tudo o mais a caracter.

Monteras, jalecas, capas, bandarilhas, tudo segundo o rigor tauromachico.

Mas, quanto aos toiros, esses, por intervenção de pessoas prudentes, foram substituidos por alguns garotos da beiramar, que se constituiram em curro para ir ganhar 100 réis por cabeça.

Eu encontrei na Praça do Jogo da Bola, conversando um com o outro, um toiro e um toireiro.

Andavam combinando as sortes a que um se prestaria e que o outro aproveitaria.