Chamavam-lhe Serani kai-tir, o christão que vôa, e ao balão, Quesana kai-tir, com quem diz, barraca aerea.
Considerando-o feiticeiro, procuravam-n'o para tudo,—até para compôr desavenças domesticas, tempestades de ciumes, amúos de namorados.[{101}]
Os marroquinos alimentavam a superstição de que ninguem seria capaz de matal-o com bala de chumbo.
—É como o homem do cavallo branco, diziam elles. Só com bala de prata...
O homem do cavallo branco era o general Prim, que pelos seus actos de bravura ficára tido no norte de Africa como invulneravel ás balas de chumbo.
Foi ás quatro horas da manhã que Antonio Infante fez uma ascensão para o sultão de Marrocos vêr, e a guarda do sultão seguiu o aeróstato, em marcha forçada, até que desceu, para sua magestade se desenganar de que o aeronauta subia tambem no balão.
Da Africa septemtrional traz Antonio Infante muitas recordações agradaveis. Ahi vae uma, que elle conta com orgulho patriotico. Nas portas da Arzilla conservam-se ainda as armas reaes portuguezas, e, sempre que um cicerone explica em Arzilla a historia de algumas ruinas, diz aos viajantes:
—Isto é do tempo do portuguez...
De Marrocos passou a Gibraltar, onde o governador da praça lhe prohibiu que realisasse qualquer ascensão, mas subiu em La Linea, que fica apenas separada de Gibraltar por uma pequena lingua de terra. O balão caiu no mar, em aguas hespanholas, e os carabineiros apprehenderam-lh'o como tomadia.[{102}]
Mez e meio gastou Infante para rehavel-o. A final foi a legação portugueza de Madrid que resolveu o negocio.