Ora, n'aquelle dia, a Terra Promettida era para nós a casa de Antonio Batalha Reis, a sua quinta do Carvalhal.
Batalha Reis, sendo um grande amador de culinaria, faz petiscos excellentes, unicos.
Já durante uns dias que estivera na Ericeira nos havia offerecido um delicioso bacalhau preparado por elle. Mas, n'aquelle dia, sabiamol-o na cosinha, de barrete branco, caprichoso em offerecer-nos um almoço principesco.
Ao cabo de tres horas e meia de jornada, chegamos ao Carvalhal. Meia hora depois, o almoço estava na mesa, e cada um dos convivas tinha deante de si um prato de sopa de cebola, composição de Batalha Reis. Era a chave de prata que ia abrir esse bello soneto gastronomico. Batalha Reis disse-nos que a chave de ouro a reservava para o jantar,—ás cinco horas da tarde. Mas um coelho guisado, que nos deu ao almoço, valia ouro. Estava divino.
Quando nos levantamos da mesa, todo eu era pressa de partir para o Varatojo, por causa... por causa de um livro: ora ahi está o grande segredo![[1]] Mas[{112}] como tivessemos levado uma machina photographica, fez-se primeiro um grupo, uma scena de duellistas, que crusavam floretes, sabres e lanças.
A machina reproduziu instantaneamente toda esta batalha incruenta, que sahiu bem boa.
Depois, finalmente, partimos para o Varatojo, e Antonio Batalha Reis, que tinha sido um dos duellistas, poz o barrete branco e foi para a cosinha do Carvalhal fazer o jantar.
Atravessamos, de caminho, a villa de Torres Vedras, que se engrandece ainda de uns restos da sua antiga prosperidade vinicula. Boas casas, grandes adegas, homens rolando pelas ruas cascos de pipa. Uma praça com coreto: o rocio elegante. Um magnifico chafariz gothico, denominado dos Canos. Uma egreja com uma bella porta de lavores. Sobre o outeiro, as ruinas do famoso castello. O Passeio da Varzea com o seu sombrio arvoredo de choupos e faias.
Mas nós passamos por tudo isso a correr, rodando para o Varatojo.
Finalmente, á esquerda, na encosta, surgiu um grupo de casas e logo ao pé o telhado do convento e a matta.