Apoiamo-nos no principio da encosta, porque não havia caminho para trem.

E, subindo, chegamos ao largo do convento, de[{113}] humilde apparencia, enterrado ao fundo de alguns lanços de escada.

Uma cruz de pedra e um velho cypreste dão ao sitio essa phisionomia de tristeza que caracterisa os eremiterios pobres.

Descemos os poucos degraus que dão ingresso para o convento, e entramos no atrio.

Á esquerda uma capella com o Senhor dos Passos. Em frente, o postigo da roda, em cujo bordo havia tres escudellas vasias com colheres de páu; sobre o postigo esta legenda: De paupertate nostra frangamus Jesu esurienti panem. Á direita uma porta em ogiva com esta simples palavra no topo: Silencio.

Pedimos licença para entrar, e foi-nos concedida. Recebeu-nos o sacristão em habito de franciscano. Mostrou-nos a egreja, em cujo altar-mór ha a notar a obra de talha, o retabulo, os quadros, os azulejos. No corpo da egreja torna-se digno de menção o altar de marmore, excellentemente trabalhado, de uma capella lateral. É obra recente, executada por um conventual.

Como houvessemos mandado entregar uma carta de apresentação, veio acompanhar-nos um padre franciscano, de habito com capuz, cordão, rosario e sandalias.

Boa physionomia, alegre e rosada. Fallava sem[{114}] biôcos. Quando nos tornou a mostrar o altar de marmore, disse para mim:

—Isto é obra feita no convento. Cá trabalha-se.

Foi depois mostrar-nos o presepio, e chamou a nossa attenção para a figura que representava um cégo tocador de gaita de folles, com borracha de vinho a tiracollo, fazendo-nos notar a circumstancia de que o moço do cégo estava bebendo subrepticiamente o vinho da borracha.