Levou-nos depois á casa dos retratos, onde, eu precisava vêr um, e á casa do capitulo, onde copiei a inscripção de uma sepultura.

Offereceu-nos na casa dos retratos vinho doce, e bolos. Quizemos deixar uma esmola para o convento: recusou-a. Perguntamos-lhe se vendiam bentinhos, porque os desejavamos adquirir como recordação. Sorriu-se.

—Que os bentinhos que tinham, eram os que pessoas de fóra davam aos frades.

Na cêrca offereceu-nos flores, e conduziu-nos até á entrada da matta.

De caminho respondia com boa sombra ás perguntas que lhe faziamos.

Disse-nos que havia uma escóla para o sexo masculino, annexa ao convento, mas com entrada independente.[{115}]

Disse-nos mais que, actualmente, eram uns vinte os frades, e que o resto do pessoal orçava por quinze homens. Que no convento não entravam mulheres, mas que na povoação havia um recolhimento de irmãs hospitaleiras de S. José com escóla para meninas. Accrescentou que viviam pobremente, mas que do seu pouco repartiam com os pobres.

Mostrou-nos a sachristia, em cujos azulejos, que revestem as paredes, se lêem disticos metreficados em castelhano. Por exemplo:

Mi coraçon como cera
Se derrite en dulce ardor
Con tu fuego, ay Dios d'Amor
Si hasta aqui de marmol era.

Estes disticos devem ser composição de Frei Antonio das Chagas, que versejou gongoricamente em lingua hespanhola, e que no seculo XVII reformou o instituto do Varatojo, depois de ter vivido uma vida mundana de militar aventuroso.