—Mas que diabo de mania, pergunta do lado um dos ouvintes, foi essa que você teve de chamar Epaminondas ao seu cão?
O caçador, querendo dominar a sua commoção:
—O que?! Que diabo de mania foi essa?! É facil de explicar. O cão era superiormente intelligente; era, no seu genero, um heroe, uma celebridade, direi mesmo uma gloria. De modo que eu quiz dar-lhe um[{122}] nome glorioso, que elle bem merecia. E não fiz nada de mais. Meu pobre... meu rico Epaminondas! Senti mais a sua morte do que a de meu avô, que eu nunca conheci, por ter vivido sempre no Brazil. Os senhores vão dar-me rasão, vocês vão concordar comigo em lhes eu contando o que aquelle cão era!
A fim de recobrar toda a sua tranquilidade, o caçador faz um intervallo, accende o charuto que tinha deixado apagar, e continúa:
—Vocês sabem que meu pae, tendo recolhido a Portugal, viveu sempre comigo...
Neste momento entra no estanco, se o cenaculo é um estanco, um garoto a comprar dez réis de cigarros fortes.
O caçador interrompe-se, mostrando-se contrariado de que um intruso venha esfriar o interesse que a sua narração estava produzindo no auditorio.
O rapaz recebe os cigarros, e demora-se accendendo um.
Sempre suspenso, o orador espera que o garoto sahia.
Finalmente, continúa: