—Qual historia! De uma vez morreu a mulher do regedor de Loures, que morava a dois passos da quinta em que eu estava. O cão ouviu, e percebeu o que o criado tinha contado. E, sem que lhe tivessemos dito nada, sahe por alli fóra, e vae a casa do regedor dar-lhe os pesames!

Quando a imaginação do caçador tem aquecido até á temperatura do maravilhoso, já não ha ninguem que seja capaz de detel-o. É como um rapido que passa. Parece ás vezes, o que é phenomenal, que chega a acreditar o que diz, e que adquire a convicção de que os outros o estão acreditando.

Pois em cada praia ha sempre um caçador... pelo menos!

O guarda fiscal confirmou plenamente esta minha observação.

—Sim, senhor, disse-me elle. Eu conheço-os: ás vezes, fico até admirado de que não tragam espingarda na bagagem!

Lisboa, 8 de outubro de 1888.[{127}]

300 RS.