Vão para as praias da Luz com a sua trouxa sobraçada, aos ranchos, por que um lençol chega para quatro. Elles entendem por um acertado instincto suino, que quanto mais salgados ficarem, melhor. Mettem-se entre os fragoedos. Homens e mulheres vão de branco, ligeiramente vestidos; a côr da roupa faz com que deixem no banho o ligeiramente e saiam sem adverbio e sem decencia.
Esperam a onda, de bruços na areia, com a cabeça virada para a terra, e a parte opposta para o mar. Isto poderia offender os peixes, se os peixes tivessem brios. Mergulham sete vezes, porque, para elles, de sete em sete ondas, vem uma que traz grande virtude curativa.
Depois vão a correr para entre as fragas, cheios d'areia e d'agua, e limpam-se ao lençol a que já se limparam tres.
Isto é invariavel.
E o diabo, que anda ás soltas n'este dia?[{165}]
A respeito d'este bicho eu sou exactamente da opinião do padre Antonio Vieira:
«O diabo já não tenta no povoado, nem é necessario, porque os homens lhe tomaram o officio, e o fazem muito melhor que elle.»
Ora é este mais um motivo, vista a substituição, para eu acabar como principiei:
—Per signum crucis...[{166}]