Levantei-me alvoroçado e resolvi ir procural-a, não aos reportorios, em que eu já vou perdendo muito a fé, mas nas ruas, onde uma pessoa já não póde perder a fé, porque, quando sae, a deixa em casa.

E sahi a procurar a aurora, ás sete horas da manhã.

Infelizmente não a encontrei senão nos cartazes que annunciavam a Joanna do Arco e diziam:

Aurora, filha do rei Faz-Tudo e da rainha Christina Amina—snr.ª Amelia Menezes.

Ora as auroras dos cartazes são como tudo o que é do theatro: só se vêem á noite.

E, como d'ahi até poder vêr amanhecer no palco do theatro Baquet medeavam muitas horas, decidi aproveitar[{192}] o meu tempo o melhor possivel, vendo tudo quanto apparecia, ouvindo o que se dizia.

Vi e ouvi.

Na loja da primeira esquina poisava um gallego o seu copo d'aguardente sobre o balcão, com attitude de quem se despedia.

Mas, ao contrario dos olhos de quem se despede, que estão quasi sempre humidos, o copo estava enxuto.

Tambem podera! É que a aguardente é um combustivel para o carrejão. Quer armar-se pela manhã, porque o seu combate começa quasi logo com o dia.