Aquella é a sua polvora;—com ella fará fogo. Depois de abastecido o paiol, não receiará succumbir; e se ás vezes, durante o dia, houver suada refrega, irá beber tantos copinhos quantos cartuxos requisitaria um soldado em lance identico.
O que reconheci é que todos pela manhã, quando saiem á rua, o mais que procuram é—a força.
Ora hoje a força já não está, como nos tempos pagãos, nos cabellos de Sansão.
Hoje a força é a aguardente, a revalesciére, o oleo de figados de bacalhau, o bife, e, apesar de se chamar frango a uma pessoa fraca, a força tambem está no frango.
Eu digo isto porque encontrei uma velhinha, tão curvada, que parecia ir procurando já a sepultura, a embrulhar no seu capote um frango que provavelmente fôra comprar ao mercado.
Elle, o franguito, ia muito quieto, como se conhecesse[{193}] que era cobardia luctar com a velhice. Para que podia servir-lhe, sem mais nada, porque ella não levava realmente mais compra alguma?
Para deitar á panella, com uma pouca d'agua e sobre uma pouca de lenha, e para depois o comer, ella, que precisa de força para esperar pela morte, ou para o dar a um neto, que está provavelmente com variola, e precisa de força para resistir á morte.
Em todo o caso eu desconfio que fosse para o neto, pela pressa que a velhinha se dava.
Não olhava para ninguem, e ia encostada ás casas como se quizesse evitar encontros e demoras.
Provavelmente levava na algibeira a chave da casa, e a criança havia ficado fechada, em quanto ella fôra comprar ao mercado o franguito com uns restos de dinheiro abençoado que lhe esmolára o anonymo Y.