É n'aldeia, e suppõe-se provavelmente que n'um largosito, onde ás crianças costumam brincar.

Qualquer d'ellas havia engaiolado, no tempo, um ninho de melros, de que só escapara um. Vivia á principesca o melro, tractado pelos pequenos, que muitas vezes se esqueciam do velho cão, para encherem os comedouros á ave. Mas, pois que até os principes morrem, o melro morreu. Era preciso fazer um enterro condigno, e tractou-se d'isso. Emquanto uma criança abre a cova e outra sustenta uma cruz de pau, formam as restantes o funebre cortejo do passarinho.

O feretro vae deposto n'um carrosito de pau, o melhor que se póde arranjar. Umas pequenitas tiram pelo carro, em direcção á cova, que se está abrindo. Apoz o feretro vae um rapasinho lacrimoso, suspendendo a gaiola vasia, e a par do rapasinho o cão, tão triste como qualquer das crianças.

O quadro é isto,—e o mais que se não póde dizer e constitue a alma da pintura.—Ainda não vi assumpto tão ligeiro mais habilmente tractado, d'onde se infere[{198}] que, se Eugene Lejeune tivesse visto os meus dois rapasinhos, que iam fazer exame, com os seus livros, o seu medo e a sua esperança tambem, haveria desenhado um quadro digno de figurar a par da Morte d'um passarinho.[{199}]


Á MEZA DO CHÁ

(POR OCCASIÃO DA VISITA DO SHAH DA PERSIA Á EUROPA)

—Estou summamente aborrecida, primo!

—Confesse, o que não é nada lisonjeiro para mim!

—O primo não me julga divindade para me fazer o sacrificio das suas palavras... d'oiro!