—Infelizes! pensei eu, lá vos espera o visco.
Sabeis a origem da palavra districto? Sabeis qual a fórma geometrica do reino de Portugal?
Não sabeis? Pobresinhos de vós, que lá ficareis a esvoaçar infructifera e desastradamente no visco da reprovação! Pois então ides fazer exame d'instrucção primaria, ó pequenos scelerados, e não sabeis tudo!
Estive capaz de dizer que retrocedessem.
Todavia deixei-os ir, entregues ao seu destino, e ás orações das mães, que em sua extrema bondade pensam que hão de vencer todas as difficuldades com padre-nossos.
Santas creaturas—as mães!
Coitaditos! os pequenos lá foram andando...
Subo finalmente, com a cruz da minha ociosidade, a ladeira da rua de Santo Antonio. Ociosidade digo, se bem que o meu animo não ande nunca tão despreoccupado, que não chegue a lembrar-se de que o domingo é o dia do folhetim. Por conseguinte, eu, jornaleiro do jornalismo, descanço do labor quotidiano procurando... assumpto. E sabendo eu que ha pessoas tão felizes que ás vezes encontram dinheiro pelas ruas, reputo-me tão infeliz que, sem achar dinheiro, poucas vezes encontro assumpto.[{197}]
Todavia d'esta vez até na rua de Santo Antonio o encontrei! Já agora quero ser verdadeiro até ao fim, e fallar-lhes d'um quadro que estava em exposição na loja dos snrs. Martins & Peres, e que havia sido comprado por um cavalheiro de Villa Nova de Gaya.
Imaginem o mais formoso idyllio d'este mundo, o verdadeiro consorcio da poesia com a pintura, e terão o quadro que se intitulava a Morte d'um passarinho, copia de Eugene Lejeune.