E continuou a tanger na harpa dos seus cantares.

Momentos corridos pendiam d'um taboleiro de prata, na sala do festim, os negros cabellos da inanimada cabeça.

E Salomé bailava, e Herodiades sorria, e os cortezãos applaudiam.

No paço tudo era alegria; na rua iam cantando melancolicamente as raparigas:

Por causa de pretenções
Mulheres que não farão?
Fizeram cahir S. Pedro,
Degolaram S. João.

Mas, ó prodigio! os olhos, apesar de mortos, tinham brilho, e nas faces inertes havia um raio de sol!

Era o brilho da eterna mocidade, o reflexo da alegria eterna...

E nunca ninguem mais chorara o precursor, porque o cutello do algoz não lhe roubou a grande alma que enche de luz e felicidade a noite d'hontem e o dia de hoje.[{212}]

[{213}]