Todavia umas e outras, astutas por serem bonitas, astutas por serem feias, fugiam ao logro, e não levavam a sua bilha á fonte, para que todo se matasse de aborrecimento o santo...

As moças não vão a ella,
S. João todo se mata.

Estava porém escripto no livro dos destinos que lhe viesse a queimar a vida o fogo com que elle brincava...

Uma noite havia festa nos paços sumptuosos d'Herodes-Antipas.

Em derredor da aurea mesa estava reclinada Herodiades, a libertina que se rendera ao amor do irmão de seu marido, e Salomé, sua filha, e os cortezãos que libavam vinhos deliciosos em taças reluzentes de pedraria.

Não longe, no carcere, estava João Baptista, sepulto na silenciosa solidão das cadeias, porque elle havia levantado a sua voz contra a incestuosa união do tetrarcha e da barregã illustre, sua cunhada.

Depois do festim, Salomé tomou a harpa e cantou e bailou na presença de seu tio.[{211}]

Quiz elle galardoal-a e perguntou-lhe o que lhe aprazia.

Então Herodiades inclinou-se ao ouvido da filha e a moça respondeu:

—A cabeça do preso.