No altar de S. João
Ha um vaso d'açucenas,
Aonde vão os namorados
Dar allivio ás suas penas.

Perseguido pelas feias, que noite e dia lhe pediam noivo:

S. João, todas as feias
Vos pedem um casamento,

corria a esconder-se nos rosaes:

O Baptista no deserto
Entre as flores escondido,

certo de que ellas não ousariam, ellas,—as feias!—defrontar-se com as flores para encontral-o.

Poucas vezes, sim, mas lá vinha uma tristeza ao coração, quando alguma voz ia cantando na estrada:

Por causa de pretenções
Mulheres que não farão?

e então—ó horror!—receioso da colera das desilludidas,[{210}] e do resentimento das feias, procurava encantal-as a todas, e fazia brotar a agua da sua fonte de prata, para que umas e outras viessem narcisar-se ao espelho...

S. João por vêr as moças
Fez uma fonte de prata.