—Espera ahi!
E a creança, em vez de saltar ao bouquet, salta ao nosso collo, e afaga-nos, e pede-nos meigamente que lhe deixemos vêr o bouquet, que ella só o quer vêr, que só o quer cheirar. Beija-nos! O almasita de Judas em corpo de cherubim! Tu não sabes que o beijo foi a arma de Judas, mas o que tu já advinhaste é que o beijo é um veneno com que a gente facilmente mata uma opposição qualquer.
Os governos ainda se não lembraram d'este grande expediente, mas estou certo de que mais tarde ou mais cedo será incluido na longa lista das tricas parlamentares.
Supponhamos que um ministerio não tinha maioria. Um dos ministros entrava na camara, e estava fallando vehementemente um dos maiores oradores do parlamento. As accusações eram energicas, o ministro sentia-se abalado no pedestal do governo, via cavar-se-lhe aos pés o abysmo do nunca mais. Era preciso uma ideia salvadora, um pensamento luminoso. Pois bem. S. ex.ª o ministro levantava-se doidamente apaixonado, e corria a beijar freneticamente o orador da opposição. E s. ex.ª o deputado, affrontado d'aquella ancia de beijar, cahia na cadeira amavelmente asphyxiado, e afastava com um gesto carinhoso s. ex.ª o ministro.[{219}]
Já se tentou rehabilitar o beijo, mudando-lhe o nome. Começou-se a dizer osculo, não por ser mais elegante a dicção, mas por ser menos conhecida. Logo porém que se veio a saber o que era o osculo, entrou-se a desconfiar tanto do osculo como do beijo.
Diziam os namorados:
—Acreditas o juramento?
—Não acredito.
—E se o sellar com um osculo?
—Oh! não acredito. Não póde haver amor exdruxulo.