Ha em todos os espectaculos do Baquet—digam se não é verdade—uma creança que chora: um visinho da esquerda que se oppõe á expansão vocal da creança, e um visinho da direita que proclama alto e bom som a liberdade da larynge.

Estas luctas são eterno apanagio do povo.

Ha sempre um velho, ou bonacheirão, rosado, inxundioso, que diz graçolas, e é o divertimento dos visinhos durante os intervallos, ou um velho zarolho, de cabello em ss e chapéo quinhentista, silencioso, que se não levanta toda a noite, e que faz a critica do drama e da platéa pela unica janella que a Providencia lhe deixou aberta para vêr a humanidade.

O velho gordo, se vê que uma lorette põe a cabeça fóra da galeria, para ser vista, acode logo a dizer:[{46}]

—Estenda a cabeça, estenda, que lhe caiem os pingos das vélas!

O velho sêco olha com o seu luzio para a toilette, e volta logo a cara para o outro lado, porque de si para si fez austeramente a seguinte reflexão:

—Bem te entendo!

Ha sempre nas galerias um cicerone. É ordinariamente um cocheiro, de jaqueta e chapéo redondo; explica todas as situações da peça ainda que seja nova.

—Ella agora vae pegar n'aquella flôr!

Ás vezes, mórmente se o drama é novo, o cocheiro engana-se, e a actriz em vez de pegar na flôr bebe um copo d'agua.