Mr. Gaulard commoveu-se, mas Marmontel, que já conhecia a telha, tregeitou a Gaulard para calmal-o.

Voltaire entrou de conversar e de animar-se progressivamente.

—Meu caro Marmontel, disse elle, folgo de vêl-o em occasião em que lhe posso apresentar um estimavel artista, mr. Ecluse! Como elle canta a canção de Remouleur.[{56}]

E Voltaire começou a imitar Ecluse cantarolando;

Je ne sais oú la mettre
Ma jeune fillette,
Je ne sais oú la mettre
Car on me la che...

Os hospedes riam estrepitosamente.

—Imito-o mal, bem sei, objectou Voltaire, é preciso ouvil-o a elle, ao proprio Ecluse. Oh! que voz aquella!

Telhudo!

La Fontaine, o meigo educador das creanças, pertence ao rol. Casou com Maria Hericard, uma formosa e intelligente mulher. Passados tempos, abalou para Paris esquecido de haver casado. Aconselharam-n'o porém alguns amigos a reconciliar-se com sua esposa. Partiu com esse intuito e, procurando madame La Fontaine em Chauteau-Thierry, disseram-lhe que estava na igreja. Recolheu-se a casa de um amigo, onde comeu e dormiu durante dois dias,—ao cabo dos quaes regressou a Paris.

—Então, reconcilias-te com tua mulher?