N'esse mesmo anno foi escripturado por Francisco Palha para D. Maria II, onde se estreiou na Sophia Mopin, versão de Rebello da Silva. Foi contando os triumphos pelos papeis: na Nobreza, nos Fidalgos de Bois Doré, nos Nobres e plebeus, na Patria e na Lucrecia Borgia.
Se o publico se não se encarregasse de lhe dizer que a sua estrella tinha rasão, bastaria a corôar a sua resolução o silencio do pae que nunca se atreveu a dizer-lhe:
—Diabo! porque não foste tu pintor!
O seu maior elogio é o silencio do pae.
Quinta pagina... Cesar Polla.
Eu não sei realmente como elle chegou a ser actor! Foi empregado publico, e, o que é mais esterilisador[{142}] ainda, metteu-se em politica. A burocracia teve-o nas garras até 1864, e deixou-o escapar! Chegou a saber o processo de fazer e desfazer deputados. Sondou as profundezas revoltas da urna eleitoral. E, caso raro! pôde salvar-se a si e á sua intelligencia, fugir á comedia dos homens, enganar o cerbéro da politica para que o deixasse passar e, quando muito, fazer deputados á bocca da scena, o que é mais glorioso do que fazel-os á bocca da urna.
Estreiou-se em 1865, em D. Maria, nos Diffamadores, na noite do beneficio do Tasso. Esteve em D. Maria até 1870, e durante esses cinco annos revelou-se o grande artista que hoje é, mórmente quando, incumbido do papel de barão de Lambech, no Anjo da meia noite, ao tempo que José Carlos dos Santos o estava fazendo na rua dos Condes, logrou confirmar o enthusiasmo das primeiras saudações. O publico lisbonense festejou-o delirantemente no Pomerol da Fernanda, no Bevalan da Vida d'um rapaz pobre, no Mirabeau da Maria Antonietta, no Gil Paes de Lima da Côrte n'aldeia, no medico do Juiz...
Verdade é que se perdeu um burocrata! O orçamento não lucrou com isso, mas quem com certeza lucrou foi o theatro portuguez.
Sexta pagina... Emilia dos Anjos.
É uma discipula do Conservatorio, de faces morenas e olhar vivo, expedita e intelligente, já conhecida do publico portuense, que em mais d'uma época a tem festejado na comedia. Representou no Porto, com Pinto[{143}] de Campos, a Familia Benoiton, e o nosso publico ficou estimando-a.