RAYMUNDO (entrando de chapéo na cabeça, com uma caixa na mão esquerda e uma carta na mão direita. Ameaçador, tetrico)—Sei tudo. Minha irmã teve a feliz ideia de me deixar esta carta em casa do seu ourives, minha senhora. Esteja tranquilla. Não será preciso que o sacrificio me seja lição. Esta carta desvendou-me; chamou-me á realidade. O sorriso da amante não vale o coração da esposa.
D.—O que?
R.—Oh! socegue! As pedras falsas inventou-as o homem para as falsas mulheres. Mas estas, as que são realmente preciosas, creou-as a natureza para as mulheres honestas. Adeus. Vou offerecer este collar a minha mulher. (Sae.)
D. (cahindo fulminada no sophá)—E os meus quinhentos mil reis! Ó castigo! (Cae o panno.)[{153}]
AS COLHEITAS
Eia, ceifeiros! Começam a arroxear os pampanos e a loirejar as messes...
Vá de limpar a eira, e preparar a adega; de varrer o lagar e ventilar o celeiro.
Ri no campo a conta amarella do milho, na vide o bago roxo da uva.
Foi Deus que da primavera ao outomno os preparou no mysterioso laboratorio da terra.