Ninguem poderia dizer, porém, n'esse momento, o que annos depois havia de acontecer.
Já Luiz Napoleão era presidente da Republica quando, por occasião de um baile no Elyseu, se encontrou com a condessa de Montijo, e com sua filha Eugenia, condessa de Teba. Foi n'essa noite que principiou o romance de amor. Luiz Napoleão ficou encantado com a bella castelhana.
Apesar de se estar em plena republica, o presidente fizera-lhe a côrte na côrte, porque o presidente rodeava-se de esplendores verdadeiramente realengos. Preparava elle então o golpe d'estado, e dissera a Eugenia de Montijo:
—Estamos em vesperas de grandes acontecimentos, e não quero sujeitar-vos ao perigo das eventualidades. Voltai para Hespanha e, se eu triumphar, convidar-vos-hei a vir occupar o throno da França.
Mademoiselle de Montijo respondera:
—Aconteça o que acontecer, serei vossa mulher. Se as vossas esperanças se mallograrem, viveremos no meu paiz, talvez mais felizes do que no throno da França.
Como se vê, a condessa de Teba respondera precisamente á pergunta... em verdadeiro genitivo amoroso. Voltando a Hespanha, mademoiselle de Montijo levava comsigo um talisman, que era o penhor da sua felicidade futura: um alfinete que representava uma folha de trevo em esmeraldas, contornada de brilhantes.
Tinha sido o premio com que a fortuna a favorecera n'uma loteria organisada pelo presidente da republica em Compiégne. Conservou-o sempre, e só se desapossou d'esse alfinete fatidico depois da morte do principe imperial. Então, vendo desmoronado todo o castello das suas esperanças de mãi, disse um dia, em Chislehurst, á duqueza de Mouchy:
—Considerei toda a minha vida este alfinete como um talisman encantado. Era a minha mais querida reliquia. Não quero que fique abandonado: dou-vol-o como um penhor de felicidade e de terna amizade.
A duqueza de Mouchy nunca mais deixou de trazer o alfinete da imperatriz.