Ascendendo ao throno imperial da França pelo processo que toda a gente conhece, Luiz Napoleão, tres annos depois, em Janeiro de 1853, annunciava aos poderes do estado a sua resolução de casar por amor.

O imperador proclamou no sentido de mostrar a inconveniencia dos casamentos politicos, que serviam menos a estreitar as boas relações internacionaes do que os processos de uma politica leal, que elle, aliás, diga-se a verdade, nem sempre seguiu. A questão do Mexico é uma prova do que affirmamos. Occupar-nos-hemos mais tarde d'este desgraçado acontecimento, quando tivermos que fallar da imperatriz Carlota, a segunda imperatriz cuja biographia bosquejaremos.

A proclamação do novo imperador terminava por estas palavras:

«Venho, pois, meus senhores, dizer á França: Prefiro uma mulher que eu amo e que respeito a uma mulher desconhecida, cuja alliança apenas traria vantagens contrariadas por sacrificios. Sem desdenhar de ninguem, cedo á minha inclinação, mas só depois de ter consultado a minha razão e as minhas convicções. Finalmente, antepondo a independencia, as qualidades de coração, a honra de familia aos preconceitos dynasticos e aos calculos da ambição, não serei menos forte, porque serei mais livre.

«Brevemente, dirigindo-me a Notre-Dame, apresentarei a imperatriz ao povo e ao exercito; a confiança que elles depositam em mim asseguram a sua sympathia por aquella que eu escolhi, e vós, meus senhores, desde que a conheçais, ficareis convencidos de que ainda d'esta vez fui inspirado pela Providencia.»

O casamento realisou-se na igreja de Notre Dame a 30 de janeiro d'esse anno.

Uma tradição hespanhola diz que as perolas, com que no dia do casamento se adornam as noivas, virão a converter-se em outras tantas lagrimas.

Eugenia de Montijo não deu importancia a esta tradição, e completou a sua toilette de noiva com um collar de perolas.

A tradição não mentiu d'esta vez.

A imperatriz vendeu o collar, com as suas outras joias, depois da guerra franco-prussiana.