Aos oito annos, o principe Luiz montava já a cavallo, e quando sobre um bonito poney Bouton d'Or passava revista ás tropas ao lado do imperador, conhecia-se, na sua physionomia radiosa, que o lisonjeava esse bello espectaculo militar, com cujo prestigio haviam deslumbrado a sua imaginação infantil.

Como vestia o uniforme de caporal do primeiro regimento de granadeiros da guarda, tudo se conseguia d'elle, se fazia alguma maldadesinha, dizendo-lhe:

Ne faites pas cela, Monseigneur; vous deshonoreriez l'uniforme.

E o principe aquietava-se.

Fôra seu mestre de equitação mr. Bâchon, homem alegre, de molde a fazer-se estimar d'uma creança.

Madame Bruat tinha na côrte o elevado cargo de gouvernante des enfants de France, era a preceptora do principe, mas a imperatriz seguia a par e passo a educação de seu filho.

Em 1867, estando a côrte em Biarritz, encontraram-se mãi e filho n'uma situação difficil, nada menos que um naufragio.

Tinha-se planeado um passeio a bordo do Faon, «pequeno aviso» a vapor, e o abbade Bauer, que fôra n'esse dia a Biarritz, quiz ser do numero dos excursionistas. O imperador não gostava de embarcar; não acompanhou por isso a imperatriz e o principe.

A primeira parte da viagem, ate S. Sebastião, correu sem incidente. Mas levantou-se vento, e o commandante do Faon declarou que não poderiam desembarcar senão em S. João da Luz. Por este motivo a viagem teve que ser mais longa do que se esperava, e a noite principiára a cahir. S. João da Luz é um pequeno porto de pescadores, accidentado de rochedos, em que o Faon não poderia atracar. A imperatriz e o principe tiveram que ir para terra n'uma canôa, com o almirante Jurien e o abbade Bauer, mas a força do mar levara a pequena embarcação d'encontro a uma fraga, em que se despadaçou. A imperatriz conservou-se, dentro d'agua, abraçada ao filho, fluctuando com o auxilio de alguns dos marinheiros da canoa. E ternamente dizia-lhe:

—Não tenhas medo, Luiz.