—Não, mamã, respondia o principe. Eu sou Napoleão.
Como era natural que acontecesse, foi o abbade Bauer quem, na opinião dos marinheiros, aguentou a culpa do naufragio.
—Ou não trouxessemos padre a bordo!
A alma do principe Luiz era naturalmente affectiva.
Pela ama que o creára conservou sempre uma dedicação extrema. Até aos oito annos, não queria adormecer sem que lhe pozessem sobre o travesseiro um lenço de sêda da India e um retalho de velludo que tinham pertencido á ama. Era uma superstição de creança. Miss Schaw tinha o maior cuidado em não perder nunca de vista esses dois pequenos objectos tão queridos.
—My prince, dizia ella, serait inconsolable.
A respeito da ama do principe: Como todas as amas, sobretudo quando o são de principes, tinha caprichos, velleidades. Mas como nas Tulherias houvesse uma outra ama para um caso de urgente substituição, intimidavam-n'a dizendo-lhe:
—Se está aborrecida, chama-se a outra.
Era como se se deitasse agua na fervura.
Aos oito annos, a entourage do principe deixou de ser feminina. Deu-se-lhe como preceptor mr. Monier, escolhido ainda segundo os velhos processos da educação principesca. Mr. Monier era um classico obstinado, que atravessava a côrte vergando ao peso da sua erudição um pouco fradesca. Foi substituido por mr. Filon, que dirigiu a educação do principe antes e depois da sua entrada na escóla militar de Woolwich.