As potencias interventoras, a França, a Inglaterra e a Hespanha, julgando-se desconsideradas por esta resposta do Mexico, combinaram entre si fazer uma demonstração energica que impozesse o exacto cumprimento das deliberações tomadas na conferencia de Londres.
Foi o almirante Jurien de La Gravière que, com poderes discricionarios, tomou o commando da expedição franceza, aggregando-se-lhe, como adjunto technico, mr. Dubois de Saligny, antigo ministro no Mexico, que devia occupar-se do contencioso. A esquadra hespanhola já estava fundeada em Vera-Cruz quando a esquadra franceza lá chegou. A Inglaterra, reconhecendo talvez o erro politico d'esta aventura, enviou alguns navios com visivel hesitação.
Os mexicanos, concentrando-se logo que os hespanhoes chegaram, deixaram-n'os como que isolados n'uma vasta zona do littoral. Foi pois n'um deserto que a expedição franceza desembarcou, posto que o governo do Mexico manifestasse uma certa sympathia pela expedição franceza, considerando-a como um obstaculo a quaesquer demasias dos hespanhoes, antigos occupadores e, portanto, antigos inimigos dos mexicanos. Assim, pois, pôde o almirante Jurien assignar uma convenção que permittia aos francezes o internarem-se em condições favoraveis de hygiene e abastecimento, com a clausula de que, se as hostilidades se rompessem, retrocederiam para o littoral.
É n'este ponto que começa a urdir-se uma vasta rêde de intrigas.
O general Prim, commandante da expedição hespanhola e casado com uma senhora de origem mexicana, parecia aspirar, protegido por Serrano, á realeza do Mexico. Mr. de Saligny, estomagado pela sua posição secundaria, escrevia para Paris cartas sobre cartas queixando-se da prudencia com que procedia o almirante Jurien. A França, dando ouvidos a mr. de Saligny, enviava novos reforços, e, como adjunto do almirante Jurien, o general Lorencez. Mas a Hespanha, picada pela supremacia que a França pretendia accentuar, retirou a sua esquadra, e a Inglaterra, que tratava de procurar um pretexto, fez o mesmo. Ficou a França isolada, desde esse momento, na questão do Mexico.
Seria fastidioso enumerar n'uma chronica fugitiva todos os pormenores que occorreram até ao dia em que o general Forey tomou o commando do exercito francez, e alcançou sobre as guerrilhas mexicanas de Juarez alguns faceis triumphos militares.
Foi então que Napoleão III teve o sonho de realisar a transformação politica do Mexico para contrabalançar na America a influencia dos Estados-Unidos, e que obedecendo aos manejos da França, uma deputação mexicana, em outubro de 1863, chegava ao castello de Miramar a fim de offerecer a corôa imperial do Mexico ao archiduque Maximiliano.
Napoleão III tomára o compromisso de conservar no Mexico, durante tres annos, um exercito de vinte e cinco mil homens, commandado pelo general Forey, succedendo-lhe Bazaine, que tinha feito toda a campanha como commandante da 1.ª divisão; e o Mexico o de pagar immediatamente sessenta milhões de francos a titulo de indemnisação de guerra, e mais vinte e cinco milhões por anno, para o que foi levantado nos bancos da Europa, por emprestimo, o dinheiro necessario, sob garantia do governo francez.
VI
Esqueçamos por um momento a desditosa imperatriz Carlota, para, como promettemos, indicar o mais que se tem averiguado sobre as razões politicas que determinaram a intervenção da França.