Á aridez da terra correspondêra a aridez da recepção. A Thémis tinha-se adiantado para annunciar a chegada dos imperadores, mas, apesar dos esforços que o almirante Bosse empregára para salvar as apparencias, o povo do Mexico conservou uma attitude indifferente, porque não diremos, hostil? Que contraste entre esta recepção glacial e a despedida affectuosa de Trieste!

Maximiliano começou a comprehender a terrivel verdade que o pasquim de Roma lhe annunciára.

A administração franceza, a fim de tranquillisar o espirito sobresaltado do imperador, comprou talvez a peso de oiro um enthusiasmo postiço, que tibiamente principiou a manifestar-se desde a estação de Loma Alta, a ultima do caminho de ferro.

D'ahi por diante os imperadores viajaram n'uma caleche ingleza, que não seria digna de hospedes menos qualificados. E a sua comitiva pernoitava ao desabrigo, como uma caravana de bohemios, que apenas podiam contar com uma hospitalidade desconfiada.

A 12 de junho, os imperadores fizeram a sua entrada solemne na capital. Todo o apparato d'esse acto official orçou por uma mise-en-scène mediocre. Em nenhuma parte encontrou Maximiliano a franqueza que devia corresponder ao convite que lhe fôra feito para acceitar a corôa do Mexico.

Á noite houve espectaculo de gala, a que os imperadores assistiram, mas a maior parte dos camarotes conservou-se fechada.

Um protesto eloquente, posto que tacito, contra a invasão de um soberano estrangeiro.

A melhor sociedade do Mexico brilhava pela sua ausencia.

O melancolico palacio de Chapultepec, que fôra destinado para residencia dos imperadores, contrastava dolorosamente não já com a opulencia, senão tambem com o conforto do castello de Miramar.

E quando os dois esposos coroados quizeram, á volta do theatro, confidenciar as suas doloridas impressões d'aquella primeira noite do imperio, acharam-se isolados n'um velho casarão desguarnecido, que tinha sido residencia dos monarchas astecas e dos vice-reis[[7]].