Tal era o palacio de Chapultepec, que devia hospedar os fugitivos do poetico castello de Miramar!
VIII
A installação do imperio devia fazer prever a sua existencia ephemera e o seu fim desastroso.
O Mexico não poderia ser regenerado por um só homem, por maiores que fossem a energia e a dedicação d'esse homem. Paiz devastado pelas guerras civis, estava atrophiado, desorganisado, inculto. Não havia escólas, estradas, agricultura. Maximiliano teve occasião de o reconhecer quando emprehendeu, arrostando com grandes perigos e incommodos, uma viagem através do seu novo imperio.
O roubo parecia guindado á altura de uma instituição nacional. E não eram só os leperos, especie de lazzaroni do Mexico, que roubavam; do palacio imperial desappareceram por vezes objectos preciosos.
Maximiliano, recolhendo á capital, projectou estradas, fundou escólas, concedeu caminhos de ferro. Creou uma academia de sciencias e bellas-artes, e traçou o plano da construcção, sobre o golfo do Mexico, de uma grande cidade industrial e commercial, a que daria o nome de Miramar.
N'este fervoroso trabalho era auxiliado corajosamente pela imperatriz, que passava os dias escrevendo a correspondencia politica do imperio, destinada ás côrtes da Europa.
Entretanto, os perigos que rodeiavam Maximiliano cresciam como uma onda temerosa. O partido juarista engrossava, as guerrilhas augmentavam, os bandoleiros faziam audaciosas incursões até ás portas da capital. Bazaine casára com uma senhora mexicana; creára, portanto, ligações e interesses no Mexico, a sua sinceridade devia tornar-se suspeita a Maximiliano que, para conservar-se no throno, não tinha outro ponto de apoio senão a França.
Fôra Bazaine que aconselhára o imperador a decretar uma lei severa contra todos os bandos armados que infestavam o Mexico.
Era o rastilho que devia incendiar, contra Maximiliano, o espirito nacional. Mas o imperador dependia exclusivamente de Bazaine, e fez-lhe a vontade.