A retirada da expedição franceza déra alento a Juarez, que ameaçou ir cercar a capital.
Maximiliano, querendo poupar os habitantes da cidade aos incommodos e perigos do assedio, retirou-se para Queretaro, onde, com o auxilio de alguns generaes, que se lhe conservaram fieis, pudéra reunir um pequeno nucleo de tropas defensivas.
A sorte das armas deveria decidir da victoria entre o exercito do imperador e o de Juarez. Os acontecimentos futuros dependiam pois da vantagem que o azar dos combates désse a um ou a outro dos dois contendores. Mas o coronel Lopez, ajudante do imperador, apressou, dizia-se, o desfecho do drama com uma traição ignobil: vendêra Maximiliano aos juaristas por 2:000 onças de oiro. E todavia Lopez havia sido extremamente beneficiado pelo imperador com generosas dadivas, sabia-se[[8]].
Na madrugada de 15 de maio de 1867, o imperador, que costumava levantar-se muito cedo, viu Queretaro em poder dos juaristas. Graças ao general Rincon, pôde ainda ir refugiar-se na pequena collina de Cerro de las Campanas, que domina a cidade.
Escobedo, general juarista, deu-se pressa em sitiar a collina. O imperador, reconhecendo que toda a tentativa de resistencia seria um sacrificio inutil, mandou atar um lenço branco na bayoneta de uma espingarda. Capitulava. Pouco depois entregava a sua espada ao general Corona, e era conduzido, com os outros prisioneiros, ao convento de Santa Theresita, d'onde foram transferidos para o convento dos Capuchinhos.
Juarez mandou reunir o conselho de guerra para julgar os prisioneiros. Maximiliano recusou-se a comparecer. Durante tres dias funccionou o conselho: no banco dos réos estavam sentados os generaes Miramon e Méjia, imperialistas. A sentença foi de morte: o imperador e os dois generaes deviam ser passados pelas armas. Marcou-se a execução para o dia 19, e de nada valeram os esforços empregados junto de Juarez pelos embaixadores da Prussia e da Inglaterra para obterem o perdão dos condemnados.
Na noite anterior, Maximiliano pediu uma tesoura ao carcereiro. Foi-lhe recusada. Supplicou então que lhe cortassem uma madeixa do seu cabello e incluiu-a n'esta carta que escreveu á imperatriz:
«Minha querida Carlota. Se Deus permittir que melhores um dia e que leias estas linhas, conhecerás a crueldade do destino que não deixou de perseguir-me desde a tua partida para a Europa. Levaste comtigo a minha felicidade e a minha alma. Por que te não ouvi eu?! Tantos acontecimentos, tantas catastrophes inesperadas e immerecidas me teem esmagado, que, desamparado da esperança, vejo na morte o anjo da redempção. Morro sem agonia. Cahirei com gloria, como um soldado, como um rei vencido... Se não tiveres forças para arrostar com tamanho soffrimento, se Deus em breve te reunir a mim, abençoarei a sua mão paterna e divina que tão rudemente nos feriu. Adeus! adeus!
Teu pobre—Max.»
Max era o diminutivo de familia, com que tambem assignou outras cartas, escriptas em francez, e dirigidas a sua mãi, á archiduqueza Sophia e a muitos amigos.